Recentemente, e mais uma vez, o Facebook anunciou uma alteração em seu algoritmo que define o que você vai ver primeiro na sua timeline. E, desta vez, o golpe acertou em cheio os veículos de notícias, sites e blogs que dependem da plataforma para alavancar suas audiências. Mark e seus engenheiros decidiram que os posts de amigos e familiares terão mais espaço do que os de meios de informação como sites e blogs. Há muitos sites de notícias hoje que têm mais de 70% de seu tráfego vindo do Facebook. Ou seja, estão bem encrencados.

Mark não é bobo. A mudança vem justamente quando o número de compartilhamentos pessoais vem caindo drasticamente. Desde a metade de 2015, a plataforma tem tido 21% menos compartilhamentos segundo a Bloomberg.

Em vez de posts de nossos amigos e de quem mais gostamos, estamos cada vez mais afogados em posts de marcas e meios de informação, o que obviamente coloca em cheque o sucesso do Facebook, que era seu caráter de ambiente social para troca entre pares. Não é à toa que as pessoas tem usado outras plataformas mais privadas para compartilhar com suas redes pessoais, como o WhatsApp e o Snapchat.

O que muda para veículos de notícias, blogs e produtores de conteúdo? Back to basics. Conteúdo bom, que seja inspiracional, bem embalado e ajude as pessoas a expressar sua identidade tendem a ganhar seus corações e, por consequência, seus shares. A notícia pela notícia não vai mais chegar a lugar nenhum (a menos que os veículos paguem por isso, o que, em meio à crise que estão vivendo, será pouco provável).

Mais do que nunca é preciso ter criatividade e abusar dos formatos em vídeo que são priorizados pelo Facebook. Postar no Instant Articles também é uma opção para publishers, já que o Facebook saúda o conteúdo uploaded diretamente na plataforma.

De fato, a vida dos publishers tradicionais, que já vêm sofrendo com a crescente falta de verba dos anunciantes e queda de audiência, só ficou ainda mais complicada perdendo essa fatia de audiência vinda do Facebook. É hora de repensar como a mídia embala seus conteúdos e se envolve nas conversas do cotidiano das pessoas, como Buzzfeed, NowThisNews e outros veículos, além de creators que fazem sucesso gerando conteúdo com um olho na notícia e outro nas redes.

Parece simples, mas não é. Jornalistas tradicionais nunca precisaram dialogar com suas audiências, gerar discussão, se preocupar em embalar a informação para gerar uma ação nas pessoas. E, se depender do Facebook, essa forma de produzir já era.

É um bom momento para os veículos repensarem o que estão fazendo e aprenderem com os jovens creators: criar conteúdo para nichos e interesses específicos, ser útil, abusar do diálogo, batalhar para construir uma comunidade que aprecie e se identifique com seu conteúdo e, por isso, decida compartilhá-lo. A lei agora é engajar ou morrer.

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